Dos nove investigados pelo Ministério Público do Paraguai no escândalo de corrupção do Instituto de Previsão Social (IPS) — órgão equivalente ao INSS no Brasil —, apenas o ex-presidente da instituição, Vicente Bataglia, permanece foragido da Justiça. A informação é do jornal paraguaio ABC Collor.
O esquema causou um prejuízo estimado em mais de 61 bilhões de guarani (mais de R$ 40 milhões). Inicialmente, a defesa do investigado alegou que ele estava na Itália realizando um curso médico e que retornaria para se entregar, mas informações recentes apontam que o ex-gestor fugiu para o Brasil.
Bataglia e outros oito réus, incluindo o também ex-presidente do IPS Jorge Brítez, foram imputados por lesão de confiança. A acusação detalha graves irregularidades em obras abandonadas de centros cirúrgicos. Enquanto os demais acusados já se apresentaram às autoridades e obtiveram liberdade provisória sob fiança, Bataglia não compareceu aos tribunais.
Suspeita de passagem por Foz do Iguaçu
Apesar do anúncio de que o ex-presidente desembarcaria da Europa em Assunção, a Polícia Aeroportuária do Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi confirmou que não houve qualquer registro do desembarque de Bataglia no país.
Fontes do jornal ABC Color confirmaram que o ex-gestor estaria em território brasileiro desde o dia 8 de agosto. Novas informações apontam que ele teria sido visto no Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu (PR) no domingo, 9 de agosto, levantando a forte suspeita de que tenha feito a travessia de retorno ao Paraguai por via terrestre através da fronteira.
“Se a pessoa for requerida pela Justiça, a autoridade emitente é comunicada imediatamente. Após a realização do exame de corpo de delito e os procedimentos de praxe, ele será colocado à disposição judicial”, afirmou o comissário Luis Pizzani, chefe do Departamento de Polícia Aeroportuária.
Esquema envolve fraudes em obras e combustíveis
O Diretor de Auditoria Forense da Controladoria-Geral do Paraguai, Leandro Baruja, revelou que entre 2019 e 2025 foram formalizadas nove denúncias criminais contra a gestão do órgão previdenciário. Os relatórios expõem uma série de irregularidades:
Gestão fraudulenta: Fraudes na aquisição de medicamentos e na execução de obras de infraestrutura hospitalar;
Pagamentos indevidos: Liberação de pensões e aposentadorias para beneficiários falecidos;
Uso indevido de recursos: Membros do Conselho de Administração — incluindo Bataglia — teriam utilizado combustível da instituição para uso pessoal durante as férias e cobrado diárias sem comparecer às sessões.
Atualmente, mais de 50 auditores seguem atuando no pente-fino das contas do IPS. As forças de segurança de ambos os países e os postos de controle da Tríplice Fronteira permanecem em alerta para a localização e prisão do ex-presidente.
Antonio Mendonça/ Catve





